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Por que a beleza importa?

30/07/2021

Paisagem com casa ao fundo

Imagem: (unplash.com)


“Feio não é bonito”, já dizia a música. Mas  afinal, o que é a beleza? O que é bonito? Será que o bonito de hoje pode ser feio amanhã?

Essas perguntas são fundamentais para todo ser humano. Não há pessoa que busque o feio em sua vida. A beleza faz parte do próprio sentido da vida. Estamos o tempo todo em busca da contemplação da beleza: ao arrumar a casa, ao escolher a roupa para sair, ao olhar para o marido/esposa, ao cuidar do nosso comportamento diante dos demais ou mesmo sozinhos etc. E sonhamos que, ao morrer, possamos desvelar a nossa própria vida repleta de bondade e beleza.

No campo da arquitetura, o tema da beleza assume uma importância profissional. Um edifício pode permanecer de pé por séculos. O desenho de uma cidade, idem! A responsabilidade pela aparência de um prédio – bonito ou feio – perdura gerações.

O investimento material, econômico, de tempo, para a construção de um prédio, é imenso. Portanto, a aparência de uma rua ou de uma construção não é tão passageira e facilmente modificada como de uma camiseta.

Já deu para perceber que o assunto não é tão simples, mas, não podemos deixá-lo restrito aos “profissionais” das artes. Assim, vamos apresentar algumas reflexões da Plus Arquitetura sobre o que é a beleza, de modo a auxiliar a reflexão sobre o assunto, compreendendo que a beleza pode estar presente nas artes – e também, na arquitetura.

 

O verdadeiro, o bom e o belo

 


Sol entre nuvens, provando por que a beleza importa

Imagem: (unplash.com)


Assim como a bondade e a verdade, a beleza é um valor. Mas o que significa dizer isso? Significa que assim como procuramos o que é bom e verdadeiro por si só, sem necessidade de outros motivos (por exemplo, “quero isso porque é bom”, ou “quero isso porque é verdade”), também procuramos aquilo que é belo por si só (por exemplo, “quero ver aquela paisagem porque é bonita”, “quero ver aquela obra porque é bela”). Diferente é o caso de um bem material como, por exemplo, o dinheiro. Buscamos o dinheiro porque ele é um meio para se alcançar outros bens (comida, casa, roupa etc.), e não porque possui um valor intrínseco.

É importante dizer que o que está escrito acima é apenas uma ideia inicial que tem vários desdobramentos, várias nuances, que necessitam de aprofundamento no assunto para serem abordadas.

Poderíamos discutir as diferenças entre o valor da beleza, da verdade e da bondade. Mas, por enquanto, para o propósito deste texto, é suficiente entender que a beleza é um valor procurado pelo homem, e um valor elevado.

 

A beleza não é relativa

Sabendo que a beleza é uma necessidade humana, entendemos que aquele chavão “a beleza é relativa” (questão de gosto), é conversa fiada. Ou você conhece alguém que pense que o pôr-do-sol é, por si, um fenômeno natural feio?

A beleza não está vinculada a um estilo arquitetônico/artístico, a uma época ou a um lugar. O que é verdadeiro, assim o é aqui no Brasil ou no Japão. Do mesmo modo ocorre com a bondade e a beleza. (Para mais informações sobre o tema, sugerimos um vídeo em que o filósofo e escritor inglês especialista em estética, Roger Scruton, discorre sobre a verdade, o bem e a beleza. Para assistir, clique aqui).

Há, portanto, princípios, padrões de beleza, que estão no núcleo daquilo que é bonito. Podemos falar em harmonia, unidade, proporção… Claro, a beleza tem diferentes aspectos, de acordo com a cultura e momento histórico. Porém, seus princípios são os mesmos.

 

A beleza na arquitetura

Trouxemos algumas imagens de arquiteturas de diferentes países e épocas para refletir sobre os elementos de beleza que cada uma das edificações carrega.

De início, estamos de acordo que estes três prédios são bonitos, certo? Pois bem, o que confere beleza a cada um deles? Vamos tentar identificar esses princípios sem utilizar ferramentas, teorias ou linguagem restrita ao mundo dos estudiosos e especialistas. Qualquer pessoa pode e deve saber identificar e apreciar a beleza no seu dia a dia.


Casa de estilo oriental

Imagem: (unplash.com)


Esta casa de estilo oriental parece familiar e aconchegante. O telhado característico traz proteção contra chuva e sol. A sua altura é quase idêntica à altura das paredes da casa, há uma boa relação de proporção. Existem detalhes (pilares e janelas de madeira, vigas de madeira aparente, tijolinhos etc., mas há também pedaços de parede brancos). Parece estar tudo na medida certa.


Casa de campo inglesa

Imagem: (adamarchitecture.com)


A casa de campo inglesa acima, possui simetria (o que há de um lado, há de outro). Os tijolinhos são trabalhados com cuidado, e para onde olhamos vemos um trabalho delicado, mas viável. A altura da cobertura também é proporcional à altura das paredes da edificação. É possível perceber imediatamente onde fica a porta de entrada: há uma ordem e hierarquia na composição da casa.

Essas são obras anônimas, discretas. Mas a monumentalidade também pode conter beleza. É o caso da Igreja da Sagrada Família, templo católico da cidade de Barcelona, Catalunha, Espanha, desenhado pelo arquiteto catalão Antoni Gaudí.


Igreja Sagrada Família

Imagem: (itinari.com)


Ela contém uma organização geral, sendo possível identificá-la como igreja por sua monumentalidade, torres etc. que favorecem a elevação do pensamento e dos sentidos à Deus. O prédio também é constituído de detalhes, como: desenho da estrutura (pilares, vigas, cobertura etc.), imagens que contam parte da história da igreja e da sua doutrina.

São três construções distintas entre si na sua aparência e função, mas que guardam fagulhas de um mesmo valor: a beleza.

 

A busca pela beleza

Como conclusão dessa breve reflexão, reconhecemos a importância da busca pela beleza (na arquitetura, no dia a dia, na vida).

Nós moldamos o mundo com o nosso trabalho. Com o uso da beleza, moldamos o mundo como nosso lar. Assim teremos um consolo para as tristezas e afirmação nas nossas alegrias, ambas, parte da condição humana.

Ficou com vontade de conhecer projetos arquitetônicos contemporâneos? Clique aqui e acesse nossa galeria de projetos.

 

   Por Caetano Medeiros

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